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Dicaspocket
Descubra como escolher entre Samsung e Motorola baseado na desvalorização real, e não no preço de etiqueta, para economizar até R$ 800 na troca do seu próximo aparelho.


Você viu uma propaganda de um smartphone novo por R$ 1.500 e achou que estava tirando um gato da cartola. Doze meses depois, tenta vendê-lo no Marketplace e a maior oferta que aparece é R$ 600. Isso dói no bolso, mas é a regra, não a exceção, se você não prestar atenção na marca. O erro clássico do consumidor brasileiro é focar obsessivamente no preço de entrada — aquele valor no site da loja ou no app do banco — e ignorar completamente o custo de saída.
Nós do Dicaspocket sempre falamos que economia doméstica é gerir fluxo de caixa, e trocar de celular年年 é um hábito caro. Se você faz parte do time que precisa ou gosta de atualizar o aparelho a cada um ou dois anos, a depreciação é o item mais importante do orçamento. Entre Samsung e Motorola, que dominam as vendas no Brasil, a briga não é por qual câmera tira a melhor foto à noite, mas sim qual delas retém mais o valor do seu patrimônio.
A resposta curta pode te surpreender: a diferença entre "barato" e "econômico" aqui é brutal.
Quando analisamos a linha Moto G, a preferida nacional, a tentação é forte. Um Moto G85 lançado em 2026 pode custar, em média, R$ 1.400 na integralização. Parece um ótimo negócio comparado ao concorrente direto da Samsung, o Galaxy A36, que chega às lojas por cerca de R$ 2.000. O primeiro impulso é pegar o Motorola e "economizar" os R$ 600 de diferença na hora da compra.
O problema é que essa economia é ilusória se você planeja vender o aparelho em breve. O mercado de usados no Brasil é extremamente supersticioso e pragmático. O comprador de smartphone usado procura, antes de tudo, segurança de atualização e durabilidade da tela. A Samsung, com sua política agressiva de quatro anos de atualização Android e a reputação das telas Super AMOLED nos modelos A e S, cria uma confiança que a Motorola ainda engatinha para igualar na faixa de entrada.
Esse "selo de confiança" invisível da Samsung faz com que o preço de revenda caia muito mais devagar. O modelo que parece R$ 600 mais caro na prateleira pode custar exatamente o mesmo que o concorrente para o seu bolso um ano depois, dependendo de quanto você conseguir vender cada um. É preciso olhar o Custo Total de Propriedade (CTP), não a parcela do cartão de crédito.
Parei para simular uma transação real usando preços médios de 2025 ajustados para a inflação de 2026 no mercado brasileiro, considerando aparelhos em estado de conservação "bom" (sem vidro quebrado, mas com marcas de uso) vendidos no Mercado Livre ou OLX. Os números não mentem.
Cenário 1: O usuário compra um Galaxy A36 por R$ 2.000. Após 12 meses de uso, a média de revenda desse modelo situa-se em torno de R$ 1.350. O prejuízo do proprietário foi de R$ 650.
Cenário 2: O usuário compra um Moto G85 por R$ 1.400. Após o mesmo período, a oferta média para comprar esse aparelho usado gira em torno de R$ 750. O prejuízo aqui foi de R$ 650.
Repare: o custo final de ter tido o celular na mão por um ano foi idêntico, apesar do Samsung custar muito mais caro para comprar. Aí mora o perigo. Quem levou o Motorola achou que gastou menos, mas na verdade só trocou dinheiro na hora da compra por uma depreciação mais acentuada depois.

A situação piora para a Motorola se formos para as linhas "Edge" (topo de linha da empresa) versus a linha "S" da Samsung. Enquanto um Galaxy S24 (ou S25 em 2026) consegue manter cerca de 60% a 65% do seu valor original após um ano, os modelos Edge costumam despencar para 45% ou menos no mesmo período. O consumidor que compra topo de linha Motorola e vende em curto prazo é, na prática, o que perde mais dinheiro absoluto neste jogo.
Não é apenas questão de "marca famosa", existe uma engenharia financeira por trás disso. A Samsung inunda o mercado com peças de reposição e acessórios. Quebrar a tela de um Galaxy A-series chato, mas tem assistência técnica em cada esquina e peça generosa na 25 de Março ou no Paraguá. O comprador sabe que, se comprar esse usado e cair a manzinha, ele conserta barato.
Já a Motorola opera com uma logística diferente. Muitos modelos têm peças mais difíceis de encontrar ou parafusos internos que exigem ferramentas específicas, encarecendo o reparo em oficinas de terceiros. Isso assusta o comprador de usados, que derruba o preço da oferta justamente por medo do custo futuro de manutenção. Ninguém quer comprar um smartphone que, se a bateria morrer, vira peso de papel porque o reparo custa metade do valor do aparelho.
Além disso, a segmentação da Motorola é confusa. Eles lançam dezenas de variações do "Moto G" com nomes parecidos (G84, G85, G Play, G Power, G Stylus...). Quem vai comprar usado perde a confiança de saber exatamente qual especificação está levando para casa. A Samsung é mais estandartizada: A34, A35, A54, A55. O comprador sabe o que está comprando, e essa clareza valoriza o produto.

Eu não sou herege da Samsung. Há um cenário muito específico onde comprar a Motorola é uma decisão financeira espetacular: quando você não tem intenção alguma de vender o aparelho nos próximos 3 ou 4 anos.
Se você compra um celular para usar até a bateria não aguentar mais carga ou até o Android travar tudo, a depreciação importa pouco. O custo anual amortizado de um Moto G que custa R$ 1.400 e dura 4 anos é de R$ 350 por ano. Para atingir esse mesmo custo anual com um Samsung que deprecia menos, você teria que usá-lo por um período muito maior ou ter comprado um modelo muito mais barato (como a série "M" ou "A0", que não são recomendáveis pela baixa qualidade).
Portanto, a Motorola é a campeã do "use e esqueça". Se você é o tipo de pessoa que só troca quando o aparelho quebra, pague menos na entrada e fique com a Motorola. O problema é que a maioria dos brasileiros diz isso, mas depois de 18 meses aparece uma promoção no app do banco e a vontade de trocar aumenta. Aí a armadilha se fecha.
Outro ponto: cuidado com as 5 armadilhas de frete no Mercado Livre que fazem o produto ficar caro. Muita gente compensa a depreciação ruim do celular pagando um frete abusivo na compra inicial, o que piora ainda mais o prejuízo total. Sempre calcule o preço final com entrega no seu CEP antes de bater o martelo.
Há um detalhe específico de 2026 que tem ajudado a segurar o preço da Samsung: os programas de pré-venda com brindes. Frequentemente, a Samsung oferece fones de ouvido Galaxy Buds ou relógios Watch na compra de um S-series ou A-series de ponta.
O jogo aqui é inteligente: você compra o celular, ganha o brinde, vende o brinde novo na caixa no mesmo dia por R$ 400 a R$ 600. Isso reduz o preço líquido do seu Samsung em R$ 600 logo de cara. Um ano depois, você vende o celular usado por um valor alto. A depreciação real, descontando o que você ganhou vendendo o brinde, é ridiculamente baixa.
A Motorola raramente faz promoções de brinde físico desse porte no Brasil, focando mais em desconto à vista ou cashback em conta corrente. Dinheiro na conta é bom, mas não tem o mesmo poder de redução de custo que um produto físico que você pode revender por alto valor. Quem sabe trabalhar esse sistema de "trade-in" de brindes consegue uma vantagem financeira imensa com a Samsung que a Motorola não oferece.
Para fechar a conta e não te deixar na dúvida, vou ser direta com a minha recomendação baseada em anos observando o mercado de eletrônicos.
Escolha Samsung se:
Escolha Motorola se:
Quem está no meio termo — querendo algo bom, mas pensando em vender em breve — precisa evitar a tentação do preço inicial mais baixo da Motorola. O barato sai caro na hora de anunciar o usado e ver as propostas irrisórias chegarem.
Para evitar o erro de comprar por impulso só porque o preço parece baixo, aplique a Regra dos 3 dias antes de fechar a compra. Deixe o carrinho parado. Se em três dias você ainda acha que aquele Motorola com desconto é a melhor opção, vá em frente, mas pelo menos você teve tempo para pesquisar quanto aquele modelo específico está valendo usado hoje.
Independentemente da marca que você escolher, há um procedimento padrão que adoto para minimizar a sangria financeira na revenda. Não adianta só escolher a marca certa se você cuidar mal do aparelho.
Primeiro, compre sempre na versão de menor armazenamento (geralmente 128GB hoje em dia) se a diferença de preço para a versão de 256GB for superior a R$ 300. Na revenda, o comprador paga muito pouco a mais pelo armazenamento extra. Não vale o investimento inicial.
Segundo, use película de vidro e capa robusta desde o segundo um. Uma trinca na tela, mesmo pequena, desvaloriza o smartphone brasileiro em até 40% na hora da venda. É a coisa mais burra de se acontecer financeiramente. Um vidro de R$ 50 protege um ativo de R$ 2.000.
Por fim, mantenha a caixa e todos os acessórios originais. A palavra "completo" no anuncio de venda aumenta a atração e permite um preço final R$ 100 a R$ 200 maior do que a versão "aparelho só". Isso cobre quase metade da depreciação anual de um modelo bom.
Você deve estar se perguntando por que eu não trouxe o iPhone para esta conversa. A Apple é a liga à parte da depreciação, com iPhones mantendo 80% do valor em um ano. Mas estamos falando de um ecossistema onde a entrada custa R$ 5.000 ou mais. A comparação justa financeiramente para quem tem orçamento de R$ 2.000 a R$ 3.000 é Samsung vs Motorola.
No fim das contas, gastar inteligente não é procurar o preço menor na etiqueta, mas sim entender quanto aquele bem vai valer quando você se cansar dele. A Samsung, neste duelo, é a ferramenta de menor desgaste para o bolso de quem gosta de novidade. A Motorola é o carro de uso intensivo: bom para rodar até o fim, péssimo para revender no meio do caminho.