Viagem Econômica

Smiles ou Latam Pass para o Nordeste? A matemática das taxas que te poupa R$ 600

Decidir entre Smiles e Latam Pass para o Nordeste depende de um cálculo financeiro simples: o custo da taxa de embarque versus a facilidade de achar assento no Grid, especialmente em rotas como Salvador e Fortaleza.

Bruno Costa
Bruno CostaEspecialista em Compras Inteligentes e Monitoramento de Preços
Imagem editorial ilustrando Smiles ou Latam Pass para o Nordeste? A matemática das taxas que te poupa R$ 600

Há poucos dias, um leitor me mandou um print no WhatsApp: 45 mil pontos da Smiles gastos em uma única passagem para Fortaleza (FOR) saindo de São Paulo (GRU). O prejuízo não foi apenas o alto saldo de pontos, mas a taxa de embarque de R$ 540,45. Ele achava que tinha feito o negócio do ano. Se tivesse checado o mesmo voo no programa da própria companhia, o custo teria sido 30% menor em pontos e a taxa, ridícula perto dos R$ 80 padrão.

O erro não foi dele, foi estratégico. Quando o assunto é Nordeste, a batalha entre Smiles e Latam Pass tem um vencedor técnico claro, mas que só aparece quando você para de olhar só para o saldo de pontos e começa a olhar para o dinheiro saindo do bolso na hora do pagamento.

A armadilha fiscal dos voos Latam dentro do Smiles

O grande segredo que ninguém conta é que voar Latam usando pontos Smiles é, via de regra, um desastre financeiro para rotas nacionais. Como especialista em monitoramento de preços, eu vi isso se acentuar em 2026. O Smiles, que é o programa da Gol (e parceiro da Azul), trata a emissão de bilhetes em voos de uma companhia concorrente (a Latam) como uma "taxa de serviço" elevada.

Imagine o cenário de um voo direto das 14h, sexta-feira à tarde, de Congonhas (CGH) para Salvador (SSA) em julho.

  • No Smiles: Você encontra o voo. O pedido é 35.000 pontos. O detalhe sujo vem na tela de pagamento: a taxa de embarque gira em torno de R$ 450 a R$ 600. O Smiles embute o valor do combustível (YQ) na tarifa quando é parceira, cobrando do cliente como se fosse uma passagem flexível comprada em dinheiro.
  • No Latam Pass: O mesmo voo, no mesmo horário, custa 24.500 pontos. A taxa de embarque é a padrão doméstica, que gira entre R$ 80 e R$ 120, dependendo do aeroporto (SSA costuma ser mais barato que GRU na taxa de embarque).

A matemática é cruel. No primeiro caso, você está pagando quase uma passagem de low-cost inteira só de taxa. Muita gente acumula pontos no Smiles via cartões de crédito parceiros (como o credit card Iti ou o Santander Sphere) e acha que está livre para voar com qualquer empresa. Não está. Para o Nordeste, usar Smiles para voar Latam é queimar dinheiro.

Quando o Grid do Latam Pass fecha as portas

Onde o Smiles brilha, e aí eu preciso ser justo com a análise, é na disponibilidade de última hora e no "gato" que é voar Azul. O Latam Pass trabalha com tabelas fixas. Se a categoria "Promo" (mais barata em pontos) está esgotada, você pula direto para a "Light", e o preço dos pontos mais que dobra.

Vamos pegar o exemplo de Maceió (MCZ). É uma rota cobiçada. Se você tentar emitir com três meses de antecedência no Latam Pass, talvez encontre assentos na categoria Promo. Mas se o seu plano for viajar nas férias de julho ou Reveillon com apenas 30 dias de antecedência, o Grid vai te oferecer 60.000 pontos por trecho.

Aí entra a vantagem do Smiles, mas com uma ressalva logística enorme: voar Azul. O programa Smiles tem acesso à grade de assentos da Azul. A Azul tem um hub brutal em Campinas (VCP). Se você mora em São Paulo ou região e não se importa em pegar um ônibus para Campinas, o Smiles costuma liberar assentos em quantidades maiores e com preços de pontos mais estáveis do que a inflação do Grid da Latam.

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Há um detalhe logístico aqui que poucos consideram. O voo das 6h da manhã da Azul para Recife saindo de Viracopos pode ser incrivelmente barato em pontos — vi ofertas de 18.000 pontos recentemente —, mas o translado de madrugada de Pinheiros até Campinas custa Uber R$ 120 ou o ônibus da Viracopos Transportes (R$ 50). Você precisa somar esse custo ao preço da "milhagem barata".

O teste de realidade: Roteiro Recife e Porto de Galinhas

Vamos simular um planejamento real para uma família de duas pessoas em 2026, querendo conhecer Recife em setembro. O objetivo é maximizar o uso de pontos acumulados no cartão de crédito, não comprar pontos.

Cenário A: Acumulador Latam Pass (Latam Multiplus Visa Infinite ou similar) Você busca direto no app da Latam. Encontra voo direto GRU-REC.

  • Custo: 22.000 pontos por pessoa.
  • Taxas: R$ 95,00 por pessoa.
  • Total do casal: 44.000 pontos + R$ 190 de taxas.

Cenário B: Acumulador Smiles (Itau Azul ou Tudo Azul) Você tenta o mesmo voo direto GRU-REC (operado por Latam) no Smiles.

  • Custo: 30.000 pontos por pessoa (o programa inflacionou o preço).
  • Taxas: R$ 520,00 por pessoa (taxa parceria internacional/doméstica disfarçada).
  • Total do casal: 60.000 pontos + R$ 1.040 de taxas.

A diferença de R$ 850 em taxas pagaria o transfer do aeroporto para o hotel em Boa Viagem e uma janta de primeira noite. Perder o dobro de pontos (60k vs 44k) e ainda pagar mais caro em dinheiro é o的定义 de má gestão de milhagem.

A única razão para usar o Smiles aqui seria se não houvesse voo Latam, e você tivesse que usar a conexão da Azul via Recife ou Salvador. Mesmo assim, eu recomendo cautela. Se o seu ponto de partida é o Rio de Janeiro, a Azul tem voos diretos do Santos Dumont para o Nordeste. Nesse caso específico (SDU-SSA, por exemplo), o Smiles ganha pela comodidade de não ir ao Galeão, mas você deve entender o que é taxa de embarque para não cair em promoções enganosas que cobram a "taxa de conveniência" extra.

A regra de ouro para 2026

Depois de monitorar preços diariamente no Dicaspocket, minha recomendação é fechada: se o seu destino é Nordeste e você quer usar a malha aérea principal (Latam), acumule no Latam Pass.

A não ser que você tenha um estoque absurdo de Smiles e não tenha outra utilidade, evitar a emissão de voos Latam via Smiles é a regra número 1 para economizar viagem. O problema do leitor que citei no começo foi acumular num programa (Smiles) pensando que era uma "moeda universal", sem perceber que a taxa de câmbio entre programas e companhias aéreas é pesada.

Por outro lado, se você mora perto de Campinas (VCP), Belo Horizonte (CNF) ou Brasília (BSB), o Smiles se torna uma arma poderosa. A Azul domina esses hubs com voos diretos para o Nordeste, e o preço das milhas nesses trechos costuma manter um piso mais baixo que a tabela de alta demanda da Latam.

Antes de transferir qualquer ponto do seu cartão, faça o teste de busca "falso" nos dois aplicativos. Veja se a diferença na taxa de embarque vale a flexibilidade. Muitas vezes, a famosa regra de comprar passagem na terça-feira para economizar em dinheiro é menos eficiente do que simplesmente escolher o programa certo para a rota que você quer fazer.

O erro que ainda estou vendo este ano

O erro mais comum em 2026 continua sendo o compras inteligentes com o cartão errado. Muita gente usa o cartão "Smiles" do banco X para acumular porque o anúncio promete "3 pontos por dólar". Se a única coisa que você vai fazer com esses pontos é viajar de férias com a família para Maceió, e a Latam é a única que faz direto do seu aeroporto, aquele "bônus" de pontos foi anulado pela taxa de embarque de R$ 500 que você vai pagar depois.

Se você planeja ir para o Nordeste e tem liberdade de escolha, foque no Latam Pass para voos diretos das capitais ou no Smiles apenas se você estiver disposto a fazer o conexão por Campinas (Azul). Não tente encaixar a peça quadrada da Latam no buraco redondo do Smiles; sua carteira vai sentir o impacto no dia do pagamento.

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